Come gather ’round people

Preciso desabafar… :)

Este fim de ano, um certo clima de melancolia atravessa-me o espírito… mas não é daquela que abate, que desmoraliza. É antes da que dá azo a criatividade, a movimento, a obra – qualquer um que toque um instrumento musical saberá do que falo.

Esta tristeza sistémica, que parece atravessar o mundo outrora desenvolvido, não se resolve com prozac. É preciso, mesmo em pleno inverno, arregaçar as mangas e – nas célebres palavras de Miguel Gonçalves – “bater punho” (ainda me arrepio de cada vez que oiço a expressão, mas enfim… point taken!).

Talvez seja altura de abraçar a dificuldade e transformá-la em oportunidade (e há tantas!!!).

O peso das mensagens que nos assolam o dia-a-dia e cujas implicações parecem transcender aqueles que as divulgam ou, em muitos casos, profetizam, enfurecem-me profundamente. Não por serem mais ou menos verdade, mas porque ganharíamos imensamente se a energia despendida em tanta análise ou crítica fosse convertida em planos de acção para superar as próximas dificuldades ou na demonstração dos inúmeros casos de sucesso que vão brotando pelo país e no desenvolvimento de incentivos para concretizá-los.

Não julgo jornalistas ou economistas, nem sindicalistas ou políticos. Todos desempenham o seu papel. Mas (quase) nenhum faz o que deve e lamento, por isso, uma sociedade que perdeu esperança em si mesma.

Acredito, sinceramente, que somos capazes de muito mais do que se desdenha na televisão e nos jornais. Aliás, tenho a certeza! Já o vi a acontecer cá e lá fora! Nunca, como hoje, o peso de uma mensagem positiva foi tão relevante.

Creio, por isso, ser necessária uma mudança de paradigma. Uma revolução, talvez. Não de cravos, mas de postura.

Cabe somente a cada um transformar o país. E não chega um “like” (ou “dislike”) no Facebook. Uma mensagem tão simples quanto “eu pago os meus impostos” não deveria ser motivo de vergonha, como parece que o é para tanta gente. Se não o fizermos e continuarmos viver numa sociedade de indigência intelectual, culpando “os outros” por tudo o que de mal acontece, aí sim estaremos perdidos.

Em tempos, houve um filósofo que escreveu acerca deste sentimento e melhor do que tentar expressá-lo, presto-lhe a minha inteira homenagem ao recordá-lo na integra (e também nesta fantástica versão de Keb’ Mo’).

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Come gather ’round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You’ll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin’
Then you better start swimmin’
Or you’ll sink like a stone
For the times they are a-changin’.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide open
The chance won’t come again
And don’t speak too soon
For the wheel’s still in spin
And there’s no tellin’ who
That it’s namin’.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin’.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don’t stand in the doorway
Don’t block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There’s a battle outside ragin’.
It’ll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin’.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don’t criticize
What you can’t understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin’.
Please get out of the new one
If you can’t lend your hand
For the times they are a-changin’.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin’.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin’.

- BOB DYLAN -

Muito se fala em “ajudar” nesta altura, mas penso honestamente que a melhor forma de se superar este momento é o de puro egoísmo. “Eu quero” um excelente serviço de saúde público. “Eu quero” uma excelente educação para os meus filhos. “Eu quero” viver num país sem pobreza, por proporcionar oportunidades de integração a quem necessita e promovê-las com sustentabilidade (!!). “Eu quero” mesmo!

Se todos fossem egoistas a este ponto e fizessem por concretizar os seus desejos, que país… que mundo!…

O meu desejo para o próximo ano, aquele que consumirá as minhas 11 passas (uma reservo para mim), revelo-o já, é que todos dêmos o nosso melhor – tudo o que estiver ao nosso alcance – para que o nosso Estado tenha rapidamente condições de nos providenciar aquilo para que é exclusivamente sustentado: evoluir-nos.

Assim, partilho a minha convicção com Bob Dylan: “for the loser now, will be later to win” e a imensa vontade de que os tempos estejam mesmo “a-changin’”.

Feliz 2012!

Já agora… Bom ano! :)

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